A Bariátrica pode ajudar quem tem refluxo?

Postado por master em 22/nov/2021 - Sem Comentários

Uma queixa muito comum de pacientes obesos é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), devido a isso, hoje o assunto do nosso Blog será o refluxo e como a cirurgia bariátrica ajuda a tratar essa doença.

Definir o refluxo é fácil, na teoria ele é o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula que se abre para dar passagem aos alimentos e se fecha imediatamente para impedir que o suco gástrico penetre no esôfago, pois a mucosa que o reveste não está preparada para receber uma substância tão irritante. Devido a alterações no esfíncter, esse conteúdo do estômago pode voltar ao esôfago do paciente, caracterizando o refluxo. A acidez irrita a parede do esôfago e causa a doença. Os principais sintomas são azia, regurgitação, perturbação do sono, dor no peito, comprometimento vocal e complicações respiratórias.

Caso você possua algum desses sintomas, a doença pode ser diagnosticada pela realização de endoscopia digestiva alta e também pHmetria. Por meio desses exames é possível ter um diagnóstico definitivo.

Porém a partir do momento que a DRGE foi diagnosticada, quais as maneiras de tratá-la? O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico se baseia na administração de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e melhoram a motilidade do esôfago. Além disso, o paciente recebe orientação para perder peso, evitar alimentos e bebidas que agravam o quadro, fracionar a dieta, não se deitar logo após as refeições e praticar exercícios físicos. Já a cirurgia pode ser realizada de maneira convencional ou por laparoscopia e está indicada nos casos de hérnia de hiato, para os pacientes que não respondem bem ao tratamento clinico ou quando é necessário confeccionar uma válvula antirrefluxo.

Outro fator importante de ser ressaltado é o de que pacientes obesos possuem maior incidência de refluxo, e algumas vezes, o tratamento cirúrgico da obesidade, também afeta o refluxo dos pacientes. Em alguns procedimentos (como na cirurgia de bypass gástrico em Y-de-Roux), a perda de peso também é acompanhada pela resolução dos sintomas do refluxo (DRGE). No entanto, outras cirurgias bariátricas populares, como a Gastrectomia Vertical, têm um impacto controverso sobre seu efeito no refluxo.

Hoje já existem evidências de que há uma clara redução nos sintomas de refluxo ou resolução da DRGE na maioria dos pacientes pós-cirurgia de Bypass Gástrico. Estudos de pacientes com DRGE pré-operatória demonstraram que 96% dos seus pacientes apresentaram melhora ou resolução dos sintomas após o Bypass Gástrico (BGYR). Acredita-se que essa alteração venha do desvio da bile do estômago, promovendo perda de peso, diminuindo a produção de ácido na bolsa gástrica, diminuindo a população de células parietais, acelerando o esvaziamento gástrico e diminuindo a pressão abdominal sobre o Esfíncter Esofágico Inferior. Sendo assim, o Bypass gástrico poderia tanto tratar a obesidade quando o refluxo desse paciente.

Já no caso do Sleeve gástrico (Gastrectomia vertical), foi notado um aumento da incidência de doença do refluxo. Por mais que dentro do cenário dos procedimentos bariátricos o sleeve venha sendo cada vez mais comum, para tratar a DRGE ele não se mostra efetivo, pelo contrário. Ao analisar os resultados pós operatórios, notou-se que de 8,6% a 47% dos pacientes apresentaram sintomas do refluxo após a cirurgia.

De acordo com uma revisão retrospectiva do Bariatric Outcomes Longitudinal Database, pacientes obesos mórbidos com Doença do Refluxo apresentaram antes da cirurgia resolução dos sintomas em 16% nos pacientes que realizaram a Gastrectomia Vertical enquanto os que fizeram Bypass tiveram melhora bem mais significativa, chegando a 63%.

Portanto, chegamos à conclusão que, a depender da técnica utilizada, o paciente poderá ou não ter melhora do seu quadro de DRGE. Então, caso o paciente apenas seja afetado por refluxo (não acompanhado de obesidade), ele deverá tratar essa comorbidade, já nos casos em que o paciente é obeso mórbido e já está trilhando o caminho para realizar a bariátrica, torna-se importante conversar com seu médico e relatar o refluxo, uma vez que a depender da técnica utilizada, é possível que seu refluxo tenha remissão completa.